Alta histórica em 2025 reforça força da suinocultura brasileira, enquanto aumento da oferta pressiona preços no início de 2026
Esse desempenho reflete investimentos contínuos em tecnologia, sanidade e produtividade ao longo dos últimos anos, posicionando o Brasil como um dos principais players globais da suinocultura.
Oferta elevada e demanda interna enfraquecida pressionam preços
Apesar do avanço produtivo, o início de 2026 tem sido marcado por um cenário de pressão sobre os preços no mercado interno. Segundo o Cepea, a disponibilidade interna de carne suína vem crescendo desde janeiro, atingindo volumes significativos.
Esse aumento ocorre mesmo com a demanda externa aquecida, fator que normalmente sustentaria os preços. No entanto, o impacto positivo das exportações tem sido parcialmente neutralizado pela demanda doméstica enfraquecida, o que ajuda a explicar os atuais baixos valores de comercialização tanto do animal vivo quanto dos cortes.
Redução de abates e fim da Quaresma podem mudar cenário
Para abril, a expectativa do Cepea é de uma possível inflexão no mercado. A entidade projeta uma redução no ritmo de abates, o que pode limitar a oferta interna, especialmente se as exportações continuarem firmes.
Outro fator relevante é o fim da Quaresma, período tradicionalmente associado à redução no consumo de carnes, especialmente a suína. Com a retomada da demanda após esse intervalo, há possibilidade de reação nos preços, tanto do suíno vivo quanto dos produtos derivados.
Bolsas estaduais indicam estabilidade e diferenças regionais
Os dados recentes das bolsas de suínos reforçam o momento de estabilidade, ainda que em patamares pressionados:
- Em São Paulo, a Bolsa de Suínos da APCS definiu, em 19 de março, a manutenção do preço em R$ 135,00/@, sinalizando equilíbrio entre oferta e demanda no estado.
- Já em outras regiões, como Mato Grosso e Minas Gerais, os valores do suíno vivo giraram em torno de R$ 6,50 a R$ 6,80/kg, com variações conforme custos e dinâmica regional.
O cenário para os próximos meses dependerá principalmente de três fatores:
- Comportamento da demanda interna, especialmente no pós-Quaresma
- Ritmo das exportações, que seguem como importante válvula de escoamento
- Ajuste na oferta, via redução de abates ou controle de produção
