Iniciativa prevê o desenvolvimento e a implementação de protocolos formais de atendimento, garantindo segurança jurídica, padronização, transparência e eficiência nos fluxos migratórios

A Embaixada Solidária, referência no acolhimento e na integração de migrantes, refugiados e apátridas, e o Instituto MBRF , responsável por coordenar os investimentos e projetos de impacto social da MBRF, uma das maiores companhias de alimentos do mundo, lançam, em Concórdia (SC), o Projeto de Governança Pública para Migrantes. A iniciativa propõe a estruturação de um modelo técnico de gestão que integra acolhimento humanizado, garantia de direitos e inserção laboral segura, fortalecendo a governança migratória por meio da criação de protocolos, formações de equipes públicas e privadas e da articulação entre empresas, poder público e sociedade civil.

“Fazemos parte do dia a dia da comunidade e da dinâmica econômica de Concórdia. Sabemos que muitos trabalhadores migrantes chegam à cidade em busca de oportunidades e entendemos que temos um papel importante neste contexto. Os desafios de acolhimento e integração exigem uma atuação conjunta da iniciativa privada, poder público e organizações sociais. Por isso trabalhamos em modelo de parceria para construir soluções estruturadas, que gerem impacto positivo e sustentável tanto para as pessoas quanto para o desenvolvimento da região”, destaca Raquel Ogando, Presidente do Instituto MBRF, reforçando o papel da MBRF no desenvolvimento das comunidades onde está presente.

O projeto prevê o desenvolvimento e a implementação de protocolos formais de atendimento para as secretarias municipais envolvidas nos fluxos migratórios, garantindo segurança jurídica, padronização, transparência e eficiência nos fluxos migratórios, desde a chegada até a plena inserção no território. Esses protocolos abrangem Documentação, Assistência Social, Saúde, Educação, Empregabilidade, Direitos Humanos, Mediação Cultural e Diversos Encaminhamentos.

Outro eixo previsto é a formação de equipes técnicas de diferentes setores, incluindo os serviços de Assistência Social, Saúde, Educação, empresas, áreas de recursos humanos, poder público, conselhos, universidades, forças de segurança, Defensoria Pública e Ministério Público. As formações abordarão temas como documentação, fluxos migratórios, boas práticas humanitárias, gestão intercultural, integração laboral segura, acolhimento humanizado e prevenção de vulnerabilidades.

O projeto contempla ainda a criação de Comitês Municipais de Governança Migratória, espaços que se propõem permanentes, intersetoriais e institucionalizados, que funcionarão como mecanismos de continuidade após o término da iniciativa. Esses comitês serão formados por representantes do poder público, da sociedade civil, do setor privado, do sistema de justiça e da comunidade migrante, com a função de monitorar, deliberar, acompanhar e aprimorar a gestão migratória local.

“O diferencial do projeto é sua abordagem integrada, atuando não apenas sobre um aspecto da migração, mas sim sobre toda a cadeia de acolhimento, integração e continuidade. O foco é estrutural, institucional e estratégico, permitindo que os municípios desenvolvam autonomia técnica e sustentação plena das ações após o encerramento da parceria,” explica Edna Nunes, presidente e fundadora da Embaixada Solidária.

Entre as entregas, está também a produção de um Manual Técnico de Governança Migratória, reunindo diagnóstico, fluxos, protocolos, boas práticas, recomendações, legislações, diretrizes, indicadores e modelos replicáveis. O documento representará a principal entrega metodológica do projeto, servindo como referência para outros municípios brasileiros e consolidando o trabalho executado.

A iniciativa busca, ainda, fortalecer a interculturalidade, promovendo o reconhecimento das identidades, culturas e contribuições das comunidades migrantes. Isso inclui ações de sensibilização, eventos culturais, mediação de conflitos, iniciativas integradas com a comunidade local e a disseminação de informações sobre direitos, deveres e possibilidades de inserção social.

O projeto responde a um cenário crescente em polos agroindustriais como Concórdia, que concentram um número significativo de trabalhadores vindos de outros países. A MBRF, uma das maiores contratantes de migrantes no Brasil, possui unidade produtiva na cidade, empregando cerca de 1.700 colaboradores de países como Venezuela e Haiti. No Brasil, o número ultrapassa os 10 mil.

Sobre a Embaixada Solidária
A Embaixada Solidária consolidou se como um dos principais pontos de acolhimento a imigrantes no Sul. Fundada em 2014 por Edna Nunes, a iniciativa teve início de forma solidária, dentro da própria residência da fundadora, e há quatro anos atua em sede própria, ampliando de maneira significativa sua capacidade de atendimento. Atualmente, a organização acolhe, em média, 300 famílias por mês, oferecendo apoio básico, orientação jurídica e social, além de ações voltadas à integração cultural. A maior parte do público atendido é composta por pessoas oriundas do Haiti e da Venezuela, muitas das quais chegam ao Brasil em trajetórias marcadas por longas jornadas e extrema vulnerabilidade, encontrando na Embaixada Solidária um espaço de acolhimento, proteção e reconstrução de suas vidas.

Sobre o Instituto MBRF
O Instituto MBRF é a entidade responsável por coordenar os investimentos e projetos de sociais da MBRF, uma das maiores companhias de alimentos do mundo e dona das marcas Sadia, Sadia Bassi, Perdigão, Perdigão Montana e Qualy. Com o propósito de promover comunidades mais justas e sustentáveis, atua como uma aceleradora de impacto social positivo, impulsionando iniciativas nas áreas de alimentação e educação, além de gerir o Programa de Voluntários MBRF. Ao longo de seus 14 anos de atuação, já impactou a vida de mais de 3,8 milhões de pessoas, mobilizou 48 mil voluntários e realizou mais de 4 mil ações sociais em 70 cidades brasileiras.