A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os clubes aprovaram, na segunda-feira (10), a adoção de novas regras para o futebol brasileiro. As mudanças foram discutidas durante a terceira reunião sobre a criação da Liga do Futebol do Brasil e têm como principal objetivo reduzir a perda de tempo e aumentar o período de bola rolando nas partidas.

As novas determinações passam a ser aplicadas imediatamente nas Séries A e B do Campeonato Brasileiro, na Copa do Brasil e em outras competições nacionais organizadas pela CBF.

As alterações têm origem nas mudanças aprovadas pela International Football Association Board (IFAB) para a temporada 2026/27 e utilizadas pela Fifa durante a Copa do Mundo de 2026.

Goleiros terão oito segundos para repor a bola

O goleiro terá oito segundos para colocar a bola em jogo depois de dominá-la com as mãos. O árbitro fará a contagem visual nos últimos cinco segundos.

Caso o goleiro ultrapasse o limite, a equipe adversária será beneficiada com um escanteio.

Cinco segundos para cobrança de lateral

Quando o árbitro entender que o lateral está sendo deliberadamente atrasado, será iniciada uma contagem regressiva de cinco segundos.

Se a cobrança não for realizada dentro do período, a posse será invertida e o adversário terá direito ao lateral.

Cinco segundos para o tiro de meta

A mesma regra será aplicada aos tiros de meta. Quando houver atraso proposital, o árbitro iniciará uma contagem visual de cinco segundos.

Se a cobrança não acontecer dentro do prazo, o tiro de meta será convertido em escanteio para a equipe adversária.

Dez segundos para o jogador deixar o campo

Nas substituições, o jogador que será retirado terá dez segundos para deixar o campo depois que o quarto árbitro levantar a placa indicando a alteração.

A contagem dos últimos cinco segundos será sinalizada pelo árbitro.

Se o atleta demorar além do limite, o substituto terá de aguardar um minuto para entrar em campo, deixando a equipe temporariamente com um jogador a menos. A exceção vale para atletas que estejam lesionados e claramente sem condições de deixar o gramado por conta própria.

Atendimento médico deixa jogador um minuto fora

Jogadores que receberem atendimento médico dentro do campo, nas situações em que a regra determina que eles deixem o gramado, deverão permanecer pelo menos um minuto fora antes de retornar.

Durante esse período, a equipe ficará temporariamente com um jogador a menos.

No caso de atendimento ao goleiro, um jogador de linha indicado pelo treinador ou pelo capitão também deverá permanecer fora durante o período determinado.

A medida busca evitar que atendimentos médicos sejam utilizados para retardar o jogo.

Apenas o capitão poderá falar com a arbitragem

A comunicação com a equipe de arbitragem também será restringida. Somente o capitão poderá se dirigir ao árbitro para discutir decisões da partida.

A medida busca diminuir os cercos de jogadores ao árbitro e tornar a comunicação em campo mais organizada.

Mudança na regra de comunicação entre jogadores

A chamada “Lei Vini Jr.” também foi incluída entre as alterações analisadas. A regra prevê punição para o jogador que cobrir intencionalmente a boca ao se comunicar com um adversário de maneira provocativa, depreciativa ou inflamatória.

No entanto, a aplicação dessa determinação possui particularidades em relação às competições internacionais e foi um dos pontos discutidos pela CBF e pelos clubes.

VAR ganha novas possibilidades de intervenção

O protocolo do VAR também foi ampliado.

A tecnologia poderá atuar em situações envolvendo segundo cartão amarelo que resulte em expulsão, quando a arbitragem aplicar a punição de maneira claramente equivocada.

O VAR também poderá corrigir uma marcação claramente errada de escanteio, desde que a correção possa ser feita imediatamente e sem atrasar o reinício da partida.

Nessas situações objetivas, não será necessário que o árbitro vá ao monitor para revisar o lance. O VAR poderá comunicar diretamente a equipe de arbitragem.

Escanteios terão regra específica a partir de 2027

Outra mudança relacionada ao VAR terá aplicação posterior. A partir de 2027, a tecnologia poderá revisar determinados escanteios marcados incorretamente quando a decisão tiver influência direta em um gol ou pênalti.

Essa é uma das alterações que não terá aplicação imediata no futebol brasileiro.

Objetivo é aumentar o tempo de bola rolando

As mudanças fazem parte de um conjunto de medidas para combater a chamada “cera” e reduzir o tempo perdido em cobranças, substituições e atendimentos médicos.

A IFAB estabeleceu as alterações com o objetivo de aproximar as partidas da meta de 60 minutos de bola rolando. A CBF já havia iniciado treinamentos com árbitros e assistentes para a aplicação das novas regras.

Com a aprovação dos clubes, as novas determinações passam a fazer parte dos procedimentos adotados nas competições nacionais organizadas pela CBF.