Apesar de atingir mais de 50 mil pessoas por ano no Brasil, a doença não apresenta sintomas na fase inicial. Exames de rotina podem salvar vidas
Detectar o câncer de intestino antes que ele emita qualquer sinal de alerta. Esse é o objetivo da sexta edição da campanha Março Azul, que em 2026 tem como tema a “Jornada da Vida”. A proposta da mobilização nacional é ampliar a detecção precoce da doença, já que ela é a segunda mais comum no Brasil, atrás apenas dos cânceres de mama e de próstata, quando excluído o câncer de pele não melanoma. O público-alvo da campanha são homens e mulheres com idades entre 45 e 70 anos.
Realizada pela Sociedade Brasileira de Endoscopia e Endoscopia Digestiva (SOBED), Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), a campanha chama a atenção para o papel decisivo do diagnóstico precoce do câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal. Entre as ações que serão realizadas pelas sociedades médicas está a iluminação de prédios públicos nas principais cidades brasileiras, além de difundir um gesto simples no cuidado com a saúde: a realização do teste FIT, exame utilizado para detectar sangue oculto nas fezes.
O presidente da SOBED, Eduardo Hourneaux, explica que quando a detecção acontece na fase inicial do câncer de intestino, quebrando a barreira do silêncio, as chances de sucesso do tratamento podem atingir até 90%. “A ação em Seabra tem como objetivo mobilizar toda a população, e não apenas o público-alvo da campanha, porque acreditamos que a prevenção do câncer de intestino precisa fazer parte da rotina das pessoas, começando com a conscientização sobre o tema”, afirma.
A conscientização sobre a prevenção também é essencial, segundo a organização do Março Azul, para combater o medo e a vergonha que ainda cercam os exames. “É importante lembrar que os exames existem para proteger a saúde. Eles podem evitar um problema grave no futuro. Cuidar da saúde não deve ser motivo de vergonha, e sim de responsabilidade com a própria vida e com a família”, observa o presidente da SOBED.
A preocupação em trazer a pauta do câncer de intestino para as discussões do dia a dia, sem preconceito, encontra respaldo na última estimativa divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), que estima 53.810 casos novos no Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028.
Sinais de alerta – Apesar de silencioso na fase inicial, o câncer de intestino emite alguns sinais de alerta, sendo os mais comuns: presença de sangue nas fezes (às vezes só detectável através do exame), mudança no hábito intestinal como diarreia ou prisão de ventre por várias semanas, dor abdominal frequente, sensação de intestino que não esvazia completamente, perda de peso sem causa aparente e fraqueza ou anemia.
“Entre as principais estratégias para a detecção precoce do câncer colorretal está o teste FIT, realizado por meio de um exame de fezes. Ele é capaz de identificar a presença de sangue oculto, geralmente imperceptível a olho nu, um dos sinais iniciais mais comuns da doença. Em caso de resultado positivo, o paciente é encaminhado para a realização da colonoscopia. Simples e eficaz, o teste FIT é uma importante ferramenta de rastreamento do câncer de intestino. E, uma vez detectado um câncer colorretal, o coloproctologista deve ser procurado o mais breve possível, pois é o especialista que fará o tratamento cirúrgico com maiores chances de cura para o paciente”, alerta Olival de Oliveira Júnior, presidente da SBCP.
Prevenção começa antes dos 45 anos – A detecção precoce tem como alvo pessoas acima de 45 anos, em especial se tem histórico da doença na família, uma vez que aumenta as chances de diagnóstico da doença. A redução da idade de 50 para 45 anos ocorreu no ano passado após a organização da Campanha Março Azul adotar os mesmos critérios de rastreios de sociedades internacionais, como a American Cancer Society, que perceberam o aumento da doença em pessoas mais jovens.
“Cuidar da saúde intestinal é uma construção ao longo de toda a vida. Além dos exames preventivos, hábitos simples como uma alimentação rica em fibras, a prática regular de atividade física, a hidratação adequada e a redução do consumo de álcool e do tabaco têm impacto direto na prevenção do câncer de intestino. A Campanha Março Azul reforça que prevenção não é apenas um ato médico, mas uma escolha diária em favor da própria saúde e da qualidade de vida”, destacou o presidente da FBG, Áureo de Almeida Delgado.
