O mercado global de trigo inicia 2026 com projeções de uma safra mundial recorde, cenário que exerce influência direta sobre as cotações e as estratégias de comercialização no Brasil. De acordo com análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a abundância de oferta externa, somada a uma produção doméstica que se manteve resiliente, desenha um quadro de estabilidade ou pressão negativa nos preços. O relatório aponta que a disponibilidade global deve superar os ciclos anteriores, mantendo os compradores internacionais abastecidos e limitando o espaço para valorizações expressivas no curto prazo.

No cenário nacional, o destaque fica para o elevado estoque de passagem, que pode ser o maior registrado desde julho de 2019. Esse acúmulo de excedentes da safra anterior indica que o Brasil possui uma segurança maior no abastecimento interno, mas também gera um desafio logístico e comercial para os produtores que precisam escoar a produção antes do avanço do próximo plantio. Segundo o Cepea, a combinação de estoques internos confortáveis com uma safra mundial pujante deve manter o ritmo de negociações cauteloso, com a indústria nacional monitorando de perto o câmbio e os custos de importação para definir os novos preços de balcão.