Moradores de municípios do Alto Uruguai Catarinense, como Concórdia, Arabutã, Seara, Lindóia do Sul e Irani, estão entre os 165 denunciados pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) por suposta ligação com uma das maiores facções criminosas do Brasil. Também há investigados de Catanduvas e Joaçaba. A ação reúne o maior número de denunciados em um caso relacionado à atuação de facções criminosas já ajuizado na história do MPSC.
A denúncia foi apresentada pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital e possui mais de 1.500 páginas. A complexidade da investigação levou o Ministério Público a organizar o material em 27 capítulos distintos, além da documentação complementar apresentada em arquivos separados. Para facilitar a tramitação judicial e permitir uma análise individualizada das condutas atribuídas a cada investigado, o MPSC requereu à Justiça o desmembramento do caso em 23 ações penais.
Segundo a acusação, todos os 165 denunciados são apontados como responsáveis pela suposta promoção ou integração de uma organização criminosa classificada como ultraviolenta, conforme a nova Lei nº 15.358/2026. A legislação prevê tratamento penal mais rigoroso para organizações enquadradas nessa categoria. Além disso, 21 dos denunciados também respondem por suposto tráfico de drogas e três são acusados de comércio ilegal de armas de fogo.
Na ação, o Ministério Público também solicitou a fixação de uma indenização mínima de R$ 200 mil para cada denunciado, a título de reparação pelos supostos danos morais coletivos decorrentes das atividades atribuídas à organização criminosa. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os denunciados terão direito ao contraditório e à ampla defesa durante o processo.
