O mais recente Boletim Agroclimatológico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta um cenário de forte contraste climático para os próximos meses no Brasil. Enquanto as regiões centrais enfrentam uma tendência de seca severa que ameaça a segunda safra de milho e a renovação de pastagens, a Região Sul caminha no sentido oposto. Sob a influência direta do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial, os estados sulistas devem registrar volumes expressivos de chuva e alta umidade no solo no decorrer do segundo semestre.

Projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) e notas técnicas emitidas pela Embrapa reforçam o alerta, indicando uma probabilidade de até 99% de que o El Niño se mantenha ativo até o início de 2027, com chances elevadas de atingir forte intensidade no final deste ano. Na prática, para o Sul do Brasil, esse padrão se traduz em precipitações muito acima da média climatológica, maior nebulosidade (com consequente redução da luminosidade solar) e temperaturas mais quentes do que o normal durante os meses de inverno e primavera.

Esse excesso de umidade e calor gera impactos severos e imediatos na agropecuária. O encharcamento do solo prejudica o desenvolvimento de culturas sensíveis e dificulta o manejo de lavouras de inverno, como o trigo, a aveia e o azevém, além de afetar diretamente a fruticultura e a qualidade das pastagens. Além disso, a combinação de calor e alta umidade cria o ambiente perfeito para a proliferação de doenças fúngicas e pragas, exigindo um controle sanitário muito mais rigoroso por parte dos produtores e gerando a perda de nutrientes do solo por lixiviação.

Para além das perdas diretas nas plantações, o volume excessivo de chuvas traz sérios gargalos logísticos e estruturais para a Região Sul. A ocorrência frequente de enxurradas e enchentes danifica estradas rurais de terra, provocando atoleiros e erosões que comprometem o escoamento seguro das safras e o transporte de insumos. Diante desse cenário desafiador, órgãos de pesquisa recomendam que os agricultores adotem estratégias preventivas rigorosas, como o respeito ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), o reforço na drenagem de áreas baixas e o planejamento cauteloso de novos investimentos.

Fonte: Agência Brasil