O peso da queda nos preços
A análise da ACCS mostra uma desvalorização acentuada na remuneração do produtor. No início do ano, o preço base pago pelas indústrias era de R$ 6,80 por quilo. Atualmente, o valor recuou para R$ 5,80.
A situação é ainda mais crítica para o produtor independente – aquele que arca com todos os custos de produção sem o subsídio direto de uma agroindústria. O custo médio de produção em Santa Catarina está fixado em R$ 6,35 por quilo, mas a comercialização média no mercado independente despencou para R$ 5,00.
“Nós regredimos seis anos no preço do suíno. Em outubro de 2020, a comercialização era de R$ 5,01. Com todos os custos que se elevaram, é uma crise insuportável para o setor”, afirmou Losivanio.
Excesso de oferta e quebra na lei de mercado
A atual crise de preços é, em grande parte, um reflexo do próprio crescimento do setor. Após dois anos de alta rentabilidade, houve um superinvestimento nas propriedades rurais que desequilibrou a lei de oferta e procura.
Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) citados pelo presidente da ACCS, o plantel brasileiro registrou um acréscimo de 105 mil matrizes (fêmeas reprodutoras) entre 2024 e 2025. Esse volume, multiplicado por uma média de 30 leitões desmamados por fêmea ao ano, resultou em uma injeção massiva de carne no mercado.
Outros fatores que contribuíram para o excesso de produto incluem:
- Aumento de produtividade: Dados da empresa de gerenciamento Agriness apontam um crescimento de 0,68 leitão desmamado por fêmea ao ano no Brasil.
- Peso de abate elevado: Animais estão sendo enviados ao frigorífico mais pesados.
- Descarte de matrizes: Com a crise, produtores começaram a abater fêmeas reprodutoras para reduzir custos. Cada matriz abatida equivale ao volume de carne de praticamente dois suínos.
Apesar do mercado interno travado, o Brasil bateu recorde de exportações no primeiro trimestre. O país embarcou 55 mil toneladas a mais de carne suína em relação ao mesmo período do ano passado, um aumento de 14%.
No entanto, a oscilação cambial corroeu as margens de lucro. Losivanio explicou que, no ano passado, a tonelada exportada valia em média US$ 2.490. Com o dólar a R$ 5,77, a receita era de R$ 14.392 por tonelada. Este ano, embora o preço em dólar tenha subido para US$ 2.510, a taxa de câmbio média de R$ 5,15 derrubou a receita para R$ 12.940 por tonelada.
“A gente perdeu R$ 1.452 por tonelada. Com o dólar a R$ 5,15, que é considerado o custo de produção das empresas na exportação, a margem de lucro desaparece”, detalhou.
Críticas a mudanças trabalhistas e insegurança econômica
Além das dificuldades inerentes ao mercado de carnes, o presidente da ACCS teceu duras críticas ao cenário político e econômico nacional, apontando a carga tributária e a insegurança jurídica como entraves graves.
Losivanio demonstrou forte preocupação com as propostas de alteração na jornada de trabalho (a transição da escala 6×1 para 5×2). Segundo ele, a medida é “eleitoreira” e inviável para o agronegócio, que exige turnos de 24 horas para o manejo de animais vivos, como suínos, aves e bovinos leiteiros.
O dirigente alertou que a redução da jornada obrigará a contratação de mais funcionários para cobrir os turnos, elevando os custos de produção que, inevitavelmente, serão repassados ao consumidor final. “Não existe almoço grátis. O trabalhador que hoje aplaude vai ver o poder de compra que perdeu no supermercado”, declarou.
Por fim, o representante do setor ressaltou o movimento de evasão de empresas e mão de obra brasileira para o Paraguai, motivado pela busca de melhores condições tributárias e segurança física e jurídica. “O Brasil está se afundando porque a maioria dos nossos políticos, só fazem medidas populistas que só se pensam em reeleição”, concluiu o presidente da ACCS.
